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O romper dos sons

- Onde? - Naquele restaurante chinês, no segundo piso do shopping. - Aquele da semana passada? - É. Tá bom para você? - Bem, se você quer lá, pode ser sim. - Quero saber se fica bom para você. - Fica, mas tem que ser uma hora cravada, tá? - Tudo bem. Pelo menos, você conseguiu se decidir em algo. - De novo, Ana Lúcia? Começou cedo? - Não, não. Foi apenas uma observação... Nada demais. - Tá certo. - Até mais tarde, Ângelo! - Até, meu amor! ******************************* Ângelo Desligara o telefone. Ela havia sido mais rápida que ele, ou apenas os beijos de despedida não fizessem mais parte do cansativo repertório dela, assim como os outros trejeitos carinhosos. Ele deixara beijos ao léu, para que o colega ao lado não suspeitasse que a mulher amada fora objetiva e clara. E foi além, disfarçando um derretimento em formas de juras de amor dela por ele. Botou o aparelho no gancho, arrumou os papéis, o mouse-pad , a cadeira, o teclado do computador, soltou um longo suspiro, constatando que ...

Trague, mas não solte!

Esse título precisa tanto de uma exclamação, quanto preciso de uma paixão hoje. Paixão? Não, eu diria de um amor que seja possível. Não me interpretem tão mal assim. Alguns erram hoje, acertam amanhã e assim a vida é feita de momentos felizes, eternos, ruins e horrendos. Quiçá eu tenha acertado na dose, mas errado o alvo, da primeira vez. E agora? Já se permitiram não amar, alguma vez? É o que pode existir de mais desunamo na vida. E o pior, destrutivo consigo mesmo. Se é para ficar sozinho, que se faça, mas nunca se diga: - Por hoje chega! ou: - Fechado para balanço! Se é balanço que se quer fazer, o faça, mas deixe novas mercadorias entrarem na sua bodeguinha, talvez uma delas faça sucesso e lhe renove os ares, dê a você novas esperanças, lhe faça regozijar um pouco mais a vida e dos momentos felizes e inesquecíveis. Estou deixando que ele me bata à porta dessa vez. Acredito merecer um pouquinho de sorriso, diante de dias tão pesados. E onde fica o trago nessa parte? Exatamente nisso...

Sangrar é respirar

Essa mesma massa, submersa nas suas vidinhas simples, e que se basta, resguarda um âmago que se move freneticamente, diverso de cada um... Igual, porém, ainda sim diverso... Ivna Alba

La donna della fontana

È stanca... La donna della fontana. Ma è bella come la notte in tuoi bracci. Potrai amare questa donna. Ma tuttavia lei potrà sperare checchessia di te... Forse possiamo desiderare le labbra di questo vento Che, allora, ricambierà su' anima... Giuochi con me, donna! Rida con il ragazzo che ama te! Viva, bella! Non hai perche avere con sé tanto brivido in tuoi occhi... Ivna Alba

O Triunfo da morte

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A humanidade lançada às redes do destino inexorável. O temor que se apodera dos homens desde que foi implantada a consciência cristã, no mundo. A sensação de culpa, pecado, vergonha, piedade, misericórdia e clemência. É disso que em uma breve leitura se faz, imediatamente, do quadro de Pieter Bruegel, O triunfo da morte. Don DeLillo, em 1936, já faria seus comentários sobre a obra, datada de 1562, e que se encontra em Madrid, no Museo del Prado. A tela, muitos antes de ser uma esplendorosa arte, amparada pelo Feio e Grotesco, denota uma espécie de Dança Macabra entre a vida e o confronto final com o derradeiro suspiro. É a luta, a batalha que cada um deve travar por todos os segundos em que sente seu inspirar e expirar. Da forma como se observa, pode se destacar o temor e o terror das massas pecadoras, diante a iminência do transpasse, que certamente não era bem acolhido na época. Talvez ele nunca o seja. É remetida constantemente a idéia de destruição, em todas as partes, inclusive no...

Apertem os laços

Esse momento chegou! É inevitável que ele chegue para todos os seres humanos. O que vai diferenciar é o modo como cada um encarará esse aperto, fechamento ou final de ciclos. Lembrando da música , Aos nossos filhos , onde Elis Regina canta com uma das maiores emoções, já vistas na música brasileira: "Quando colherem os frutos, digam o gosto pra mim." O que já está no final, que não se pode tornar um início? O que seria esse eterno prosseguir e retroceder? Para aonde se deve caminhar? Se se não sabe onde chegar, como se pode achar o lugar certo em que se pode jogar as malas e dizer: "Esse aqui é o meu lugar!" Essa busca incessante é extremamente cansativa, mas ainda mais exausta é a procura e o encontro. Há coisas que somente o homem consegue achar sentido. A vida deve sim, ser muito mais do que as convenções que nos ensinam quando pequenos. Só não encontraram ainda o seu sentido maior, e talvez por isso os progenitores enrolem e desenrolem os novelos das histórias d...

Wania

Um frio marmóreo lá fora. Silêncio no banheiro. Pela janela do cômodo se tecia o cinza e os flocos de neve. Pés ebúrneos deslizam e pousam suaves em frente à banheira. A mão delicada de Wania abre a torneira e a água quente desaba lânguida perpetrando todo o vazio. O corpo era magro, flácido, sem nenhum frescor mais da juventude, muito menos atrativos exarcebados pela natureza feminina. Wania era comum como aquele silêncio e o vazio. Sentada na borda da banheira, a carne das nádegas cedia ao peso dos ossos, deixando uma grande marca vermelha. Pernas cruzadas, os dedos dos pés encolhidos, as mãos imprensando os dedos. Ela os prendia até arroxearem, depois soltava; assim podia ficar por horas. Os braços eram finas lascas de pele e esqueleto, algumas marcas de apertões e chupões gravavam sua história por algum espaço de tempo, assim como os seios murchos cediam mais ao pretérito, que ao atrito e as clavículas expontâneas. Wania gostava de cruzar os braços na frente dos seios e apertar os ...