Esboço para a passagem do tempo
O tempo havia descrito uma parábola completa de seis meses e dezenove dias completos e ininterruptos. Catarine levantara cedo, como todas as manhãs daquele prazo, e sentiu-se neutra. Os braços apoiados na grande janela do apartamento, as mechas louras escorrendo pelos ombros, o raio do primeiro sol desenhando-lhe o perfil na parede branca, o olhar cansado e sonolento, o frio interrompendo a respiração morna. Olhou o travesseiro e pensou em refugiar os pensamentos de modorra nele, mas nada lhe impelia a tal consequência. Em pouco tempo a moça havia amadurecido substancialmente, e partiu do que se poderia chamar, de um estrondo de alegrias fugazes, para o cerne das decisões sensatas. Perfurou as barreiras, desenlaçou o futuro com as próprias mãos, atingiu as dezenas de soldados do batalhão das adversidades e abriu as trincheiras do campo inimigo da vida sozinha, sem o auxílio de nada, nem ninguém. O que fazer agora? Seguir adiante - e sozinha, mais uma vez - o caminho que projetara para ...